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Decreto sobre apresentação de crianças não batizadas na Celebração Eucarística


10/05/2018  

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Dom José Ruy Gonçalves Lopes,

Por mercê de Deus e da Santa Sé Apostólica

Bispo da Diocese de Jequié

 

Aos que este Decreto virem ou cuja leitura ouvirem, saudação, paz e bênção no Senhor.

Considerando que o Filho de Deus, nosso Senhor, quando veio ao mundo tomou a condição de criança, crescendo em sabedoria, idade e graça diante de Deus e diante dos homens, recebia afavelmente e abençoava as crianças, chegando a propô-las como exemplo para os que buscam verdadeiramente o reino de Deus;

É digno de particular atenção o feliz costume de apresentarem-se as crianças recém-nascidas no altar do Senhor, tendo em vista o mesmo gesto de Maria e José, que levaram o menino Jesus ao templo de Jerusalém cumprindo o quanto estava disposto na Lei do Senhor. Por meio do mesmo, a criança terá o seu primeiro contato com a casa de Deus, favorecendo que a sua vida ativa na Igreja lhe faça um cristão comprometido no futuro, que exclame como Davi: “Alegrei-me quando me disseram vamos à casa do Senhor” (Sl 122). O gesto da mãe que leva o filho ao altar é significativo e, por isso mesmo, não pode ser descurado do nosso zelo pastoral.

Tendo em vista os questionamentos acerca de como tal gesto deve ser cumprido e em qual momento da celebração pode ser disposto, havemos por bem instruir que:

1º qualquer criança recém-nascida não batizada, ao ser levada pelos pais ou responsáveis à Igreja durante a celebração eucarística, seja dignamente apresentada, depois da oração pós-comunhão, e abençoada, conforme o rito breve do ritual de bênçãos no tocante a benção de crianças ainda não batizadas;

2º a apresentação da criança ainda não batizada na Igreja, durante a celebração eucarística, não substitui a celebração do batismo;

3º na ocasião em que um grupo se reúne para preparar a celebração de batizado próximo, poderá ser oportuno dar uma benção especial à criança ainda não batizada, como a catecúmeno. Assim, na praxe pastoral, pode-se melhor explicar a significação da cruz, que o ministro e os pais traçam sobre a criança, querendo isso dizer que ela está armada com o sinal da salvação, já está dedicada a Deus e preparada para receber o batismo (Ritual de Benção n. 156). Para tal finalidade, segue-se o rito da celebração de benção de criança ainda não batizada disponível no referido ritual.

4º “as oferendas que são de costume apresentadas, pelos fiéis, na santa Missa [...] também podem compreender outros dons, que são oferecidos pelos fiéis em forma de dinheiro ou bem de outra maneira útil para a caridade com os pobres. Sem dúvida, os dons exteriores devem ser sempre expressão visível do verdadeiro dom que o Senhor espera dos outros: um coração contrito e o amor a Deus e ao próximo, pelo qual nos configuramos com o Sacrifício de Cristo, que se entregou a si mesmo pelos outros. Contudo, para proteger a dignidade da sagrada Liturgia, convém que as oferendas exteriores sejam apresentadas de forma idônea. Portanto, o dinheiro, assim como outras oferendas para os pobres, se ponham em um lugar oportuno, fora da mesa eucarística” (Redemptionis Sacramentum n. 70).

5º fica proibido a apresentação de crianças no momento da preparação das oferendas e em qualquer outro momento dentro da celebração eucarística, salvo o disposto no parágrafo 1º.

6º não é permitido deitar a criança sobre o altar ou fazer qualquer gesto inadequado à dignidade da celebração eucarística;

7º a “celebração eucarística é a ação do próprio Cristo e da Igreja, na qual, pelo ministério do sacerdote, o Cristo Senhor, substancialmente presente sob as espécies do pão e do vinho, se oferece a Deus Pai e se dá como alimento espiritual aos fiéis associados na sua oblação. A celebração eucarística se ordene de tal maneira que todos os participantes recebam os muitos frutos, para cuja obtenção Cristo Senhor instituiu o Sacrifício eucarístico” (Cân 899, § 1,3);

Exortamos vivamente, aos pastores de almas que cumpram no Cristo Mestre a função de ensinar o povo de Deus a Sã doutrina sobre os sacramentos, que se diferenciam das celebrações de bênçãos, não só pelo rito celebrativo, mas, sobretudo, por sua natureza.

Aos fiéis exortamos que acolha com alegria os ensinamentos da Igreja acerca da Sagrada Liturgia, para celebrar dignamente os Mistérios da nossa redenção.

Este decreto deverá ser lido aos fiéis na missa dominical mais próxima, entra em vigor imediatamente revogando quaisquer práticas contrárias.

DADO e PASSADO, nesta episcopal cidade de Jequié-Ba, junto à cúria diocesana, aos oito dias do mês de maio do ano do Senhor de 2018, sob nosso Signum e Selo da nossa chancelaria.

Dom José Ruy Gonçalves Lopes OFM Cap

Bispo diocesano

 

Pe. Ivonei Silva Santos

Chanceler do Bispado