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Louvado seja o Senhor!


21/02/2017   11:53:36

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Louvado  Seja o Senhor!

 

Assim o ‘’pobrezinho de Assis expressava mais que gratidão. Louvava a Deus pela vida da criação e a presença do Criador em sua vida!

Assim também, o Papa homônimo, evidencia mais que uma denúncia, expressa um grito de louvor e escreve um apelo aos cuidados especiais.

Com grande louvor a criação e também ao Magistério da Igreja, uma vez que o Papa Francisco evidencia a ‘’hermenêutica da continuidade’’ ao se referir ás Encíclicas anteriores, demonstra uma interpretação equivocada da grande mídia que tem destacado o ineditismo do tema abordado nesta  Encíclica. Todavia, convém recordar, que o tema faz parte Moral Cristã, mais precisamente da Bioética Católica. Não sem porque, nos primeiros parágrafos da ‘’Laudato  si’’, o Papa Francisco faz referências aos seus antecessores, João XXIII e João Paulo II, que no magistério da Igreja se referiram ao compromisso cristão de construir a paz e cuidar do bem comum.Também o próprio Francisco destaca os acenos contidos no Documento de Aparecida, quando o episcopado sul americano demonstrava preocupações sobre esta questão. Mas se queremos uma boa fundamentação destes pertinentes acenos anteriores , é suficiente recorrer ao Compêndio de Doutrina Social da Igreja ( Paulinas, SP, 2008) e ali teremos no capítulo décimo cujo o tema é ‘’salvaguardar o ambiente’’ as grandes referências ás Encíclicas Solicitudo rei socialis e Centesimus annusdo magistério de João Paulo II. Diligentemente o Papa Francisco reporta-se a estas Encíclicas.

A ética do cuidado não se restringe a uma nobre causa ecológica, mas da responsabilidade que o ser humano e especialmente  o cristão, possuem como expressão de um amor por toda  criação, também pela criatura e, sobretudo, pelo Criador. Quando se cunha o termo ‘’ecologia humana’’ imediatamente nos remetemos ao segundo mandamento do amor ao próximo. Destaque , ao se referir a São Francisco de Assis, seu inspirador, o Papa reporta-se a uma ecologia integral, defendida e vivenciada pelo Santo e que é objeto de reflexão de todo o capitulo quarto.De fato ‘’o sujeito da ecologia é próprio ser humano ‘’, já afirmara  São João Paulo II.

Se o Papa Francisco reafirma o planeta como nossa ‘’Casa’’ imediatamente  no primeiro capítulo da sua Carta, nos faz lembrar que se não vivemos bem a nossa fraternidade nesta casa transitória, colocamos em perigo e bem maior, a nossa Casa Eterna. É assim que o Bispo de Roma, no epílogo, dirá de forma poética ‘’para além do sol´´ . Isto estará presente em todo o segundo capítulo na fundamentação bíblica da relação do ser humano com a terra e tod criação em vista da fraternidade e do louvor ao criador e Pai. Quando esta a relação não é boa demonstra-se claramente como resultado uma crise de relação do próprio ser humano consigo e com os seus semelhantes e com a própria natureza. A isto, o Papa Francisco denomina ‘’crise do antropocentrismo moderno’’.

De fato é uma questão  da moral social, condição de nossa relação fraterna para todos os vértices.

Dom José Ruy Lopes , OFM Cap. Bispo Diocesano de Jequié- Bahia